Estudo realizado por pesquisadores do Projeto Viver Mais Goiás, com base nos dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que o Estado de Goiás vive um acelerado processo de envelhecimento populacional, caracterizado pela reconfiguração da estrutura etária e pelo aumento do índice de envelhecimento. A análise também evidencia a continuidade da redução da razão de sexo no estado desde a década de 1980, alcançando, em 2022, a proporção de 96,6 homens para cada 100 mulheres.
Os resultados confirmam de forma consistente a feminilização da velhice em Goiás, com predominância feminina entre a população com 60 anos ou mais, diferença que se intensifica na velhice avançada, especialmente entre pessoas com 80 anos ou mais. Esse padrão demográfico reflete trajetórias de vida marcadas por desigualdades acumuladas ao longo do curso de vida e reforça a necessidade de políticas públicas específicas e sensíveis às questões de gênero no envelhecimento.
A incorporação de marcadores sociais, como cor ou raça e escolaridade, aprofunda a compreensão do fenômeno ao evidenciar heterogeneidades importantes entre os grupos etários. O estudo aponta redução progressiva dos níveis de alfabetização com o avanço da idade, sobretudo entre os idosos mais longevos, indicando maior exposição a vulnerabilidades sociais. Esses achados reforçam que o envelhecimento e a feminilização da velhice são processos socialmente situados e atravessados por desigualdades persistentes.
Outro aspecto central destacado pelo estudo refere-se à dimensão do cuidado. Os dados revelam distribuição desigual das responsabilidades por afazeres domésticos e atividades de cuidado, com predominância feminina, especialmente a partir dos 50 anos de idade. Esse cenário evidencia a sobrecarga histórica das mulheres no cuidado, que tende a se intensificar na velhice e impactar diretamente sua saúde, autonomia e participação social.
Diante desse contexto, o estudo reforça a importância de que as políticas públicas estaduais incorporem o envelhecimento populacional e a feminilização da velhice como fenômenos integrados. Entre as diretrizes apontadas estão a adoção de abordagens sensíveis ao gênero, o fortalecimento da proteção social e previdenciária considerando trajetórias laborais diferenciadas, a ampliação de oportunidades educacionais ao longo do curso de vida, a expansão de serviços formais e comunitários de cuidado e o enfrentamento do idadismo e do sexismo nas instituições e nos serviços públicos.
O estudo também destaca que, embora o Censo Demográfico ofereça uma base populacional robusta, existem limitações quanto à disponibilidade de indicadores sobre aspectos como fragilidade, funcionalidade, dependência, multimorbidade e carga de cuidado. Esses elementos demandam integração com outras bases de dados e o fortalecimento de uma agenda contínua de pesquisas, especialmente estudos longitudinais e avaliações de efetividade de políticas públicas voltadas à pessoa idosa.
O Projeto Viver Mais Goiás é uma iniciativa do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) e do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (CEDPI), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape). O projeto tem como objetivos a estruturação, capacitação e sistematização de informações sobre a Política de Atenção à Pessoa Idosa em todo o estado, contribuindo para um envelhecimento digno, ativo e participativo.
Ao produzir e sistematizar evidências qualificadas sobre o envelhecimento da população goiana, o Projeto Viver Mais Goiás fortalece a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e reafirma o compromisso do Governo de Goiás com a promoção de um envelhecimento socialmente justo, com equidade de gênero e garantia de direitos para a população idosa.
