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Estudo evidencia envelhecimento ativo e protagonismo da pessoa idosa no meio rural goiano

Um estudo realizado por pesquisadores do Projeto Viver Mais Goiás revela que o envelhecimento da chefia dos estabelecimentos agropecuários em Goiás é um fenômeno estrutural, diverso e fortemente conectado à permanência produtiva da pessoa idosa no campo. A pesquisa analisou dados do Censo Agropecuário 2017 e dos Censos Demográficos de 2010 e 2022, oferecendo subsídios estratégicos para o aprimoramento das políticas públicas voltadas ao envelhecimento digno, ativo e participativo no estado.

O Projeto Viver Mais Goiás é uma iniciativa do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) e do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (CEDPI), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape). Entre seus objetivos estão a estruturação, capacitação e sistematização de informações sobre a Política de Atenção à Pessoa Idosa em todo o território goiano, fortalecendo a atuação integrada do Estado.

Os resultados do estudo demonstram que o envelhecimento da chefia rural não se restringe a regiões específicas nem representa um processo de retração produtiva. Produtores idosos estão presentes em todas as regiões de Goiás e exercem papel relevante na gestão dos estabelecimentos agropecuários, inclusive em áreas altamente tecnificadas. Regiões como Anápolis, Ceres–Rialma–Goianésia e Goiás–Itapuranga concentram os maiores contingentes absolutos de produtores idosos, enquanto Quirinópolis, Itumbiara, Catalão e São Luís de Montes Belos apresentam elevada intensidade relativa de envelhecimento.

Em regiões do Sul e Sudoeste goiano, como Rio Verde, Jataí–Mineiros, Caldas Novas–Morrinhos e Pires do Rio, o envelhecimento rural convive com elevados níveis de modernização produtiva, maior escolaridade e maior acesso à assistência técnica. Nesses territórios, a pessoa idosa atua como gestora da produção, articulando conhecimento acumulado, capital humano e redes institucionais, o que reforça a importância da experiência e da trajetória produtiva no campo.

Já nas regiões do Norte e Nordeste do estado, como Porangatu, Uruaçu–Niquelândia, Flores de Goiás e Posse–Campos Belos, o estudo aponta a necessidade de políticas públicas integradas para apoiar produtores idosos em contextos de maior vulnerabilidade social e produtiva. Nessas áreas, o envelhecimento da chefia rural evidencia a importância do fortalecimento das políticas de assistência técnica, regularização fundiária e proteção social.

A análise de gênero destaca ainda o papel das mulheres idosas na agricultura familiar. Embora a chefia feminina permaneça minoritária, sua presença é significativa em regiões mais vulneráveis, refletindo trajetórias marcadas por sucessão intrafamiliar, viuvez e responsabilidade pela reprodução social no meio rural. O estudo reforça a importância da incorporação da perspectiva de gênero nas políticas agrícolas e de atenção à pessoa idosa.

Outro aspecto relevante identificado é a baixa renovação geracional na chefia dos estabelecimentos agropecuários, observada de forma generalizada no estado. Esse cenário reforça a necessidade de políticas de sucessão rural e de estímulo à permanência de jovens no campo, articuladas com ações de educação, capacitação e inovação.

Ao sistematizar informações qualificadas sobre envelhecimento, território, gênero e agricultura familiar, o estudo contribui diretamente para o fortalecimento das políticas públicas estaduais. As evidências produzidas pelo Projeto Viver Mais Goiás subsidiam a articulação entre as agendas de desenvolvimento rural, assistência social, saúde, previdência e direitos da pessoa idosa, reforçando o compromisso do Governo de Goiás com um envelhecimento ativo, produtivo e socialmente integrado.

O estudo reafirma que reconhecer o envelhecimento rural como parte estratégica do desenvolvimento do estado é fundamental para valorizar a experiência da pessoa idosa, fortalecer a agricultura familiar e promover um desenvolvimento rural mais justo, sustentável e equilibrado entre gerações.