Um dos aspectos mais marcantes desse cenário é a forte concentração da população idosa no interior do estado. Em municípios com até 10 mil — e, em alguns casos, até 5 mil habitantes —, as pessoas idosas podem representar mais de 50% da população local. Esse dado revela um envelhecimento intenso em cidades de pequeno porte, que passam a ter sua dinâmica social e econômica fortemente influenciada pela presença majoritária de pessoas mais velhas.

Na capital, o fenômeno também se intensifica, ainda que de forma distinta. Em uma década, a população total de Goiânia cresceu 10,4%, enquanto, no mesmo período, o percentual de pessoas idosas aumentou de 11% para 30,1%. O dado evidencia que o envelhecimento avança em ritmo mais acelerado do que o crescimento populacional geral.
Segundo o economista, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e coordenador do Projeto Viver Mais Goiás, Paulo Henrique Cirino, os números revelam uma mudança estrutural. “Os dados mostram que o envelhecimento deixou de ser um fenômeno localizado e passou a definir o perfil populacional do estado, tanto no interior quanto na capital”, afirma.
Feminização da velhice e desigualdades municipais
Outro traço relevante do envelhecimento em Goiás é a predominância feminina entre a população idosa, sendo as mulheres, em média, mais longevas do que os homens. Ainda assim, a distribuição por sexo varia entre os municípios: foram identificados 121 municípios com predominância masculina e 121 com predominância feminina entre as pessoas idosas, indicando um equilíbrio numérico, mas com realidades territoriais distintas.
Pesquisas em andamento no âmbito do Projeto Viver Mais Goiás apontam que municípios com predominância feminina entre a população idosa tendem a apresentar PIB per capita menor e população total média reduzida. Além disso, há indícios de uma relação inversa entre o percentual de mulheres idosas e o tamanho populacional dos municípios, bem como uma relação direta com a proporção de população em extrema pobreza.
Para Cirino, esses achados reforçam a necessidade de olhar o envelhecimento para além da dimensão etária. “O envelhecimento em Goiás revela desigualdades territoriais e socioeconômicas importantes. Onde há maior concentração de mulheres idosas, observam-se, de forma recorrente, municípios menores e com menor dinamismo econômico”, explica.
Envelhecer com políticas públicas adequadas
Os dados indicam que o envelhecimento da população goiana não ocorre de maneira homogênea. Ele se expressa de forma mais intensa no interior, apresenta diferenças entre capital e pequenos municípios e carrega marcadores de gênero associados a condições socioeconômicas distintas.
Nesse contexto, o Projeto Viver Mais Goiás busca produzir evidências que contribuam para a formulação de políticas públicas mais adequadas à realidade do estado. “Compreender onde e como a população envelhece é fundamental para planejar ações que garantam qualidade de vida, equidade e dignidade às pessoas idosas”, conclui Paulo Henrique Cirino.